Saúde

Sou magro, logo sou feliz!?

Uma das imposições da sociedade moderna é ser magro, uma espécie de condição sine qua non para ser feliz. Esta falsa ilusão tem levado homens e mulheres a se preocuparem demasiadamente com o peso e a boa forma. Com isso, tal obediência, quando levada a extremos, pode provocar distúrbios, comprometendo a saúde da pessoa.

A ideia disseminada de que só é gordo quem quer constitui atualmente uma das razões para o excesso de cirurgias plásticas, dietas equivocadas e fórmulas milagrosas. Neste rol, há aqueles que começam uma dieta, porém, após o entusiasmo inicial, rendem-se aos aromas sedutores que a comida exala deixando para mais tarde, ou para sempre, o regime. Outros, talvez os chamados perseverantes, conseguem emagrecer, mas, assim que atingem este objetivo, abandonam os novos hábitos alimentares, recuperando o peso perdido.

Neste jogo de alternâncias, a oscilação de peso desencadeia sentimento de fracasso, de inferioridade e, com isso, a promessa da dieta ficará para, quem sabe, a próxima segunda feira.

Emagrecer é um desejo conhecido por todos nós, afinal quem já não se sentiu descontente diante do espelho pelo menos uma vez? O agravante é que a sociedade atual cultua formas esguias e exclui aqueles que estão à sua margem. Assim, quem está fora dos padrões de beleza pode buscar justamente na comida uma forma de compensação para a frustração. Este movimento de procura de apaziguamento emocional imediato desencadeia um círculo vicioso já que, esta mesma compensação, provoca culpa e mais frustrações, levando o indivíduo a buscar consolo justamente na comida.

Do ponto de vista subjetivo, cuidar da saúde é algo complexo. Apesar da influência de fatores culturais, comportamentais, sociais e genéticos, o excesso de peso não está apenas no corpo. Ele revela-se nos sentimentos, nos hábitos, nos pensamentos, nas formas de relacionar consigo mesmo e com o mundo. Depressão, autoconceito negativo, angústia e ansiedade podem levar a mudanças nos modos de enfrentamento com a vida. É comum, por exemplo, ouvirmos relatos de pessoas que dizem que engordaram após a perda de um emprego, a morte de um ente querido ou quando estudavam para um concurso.

O fato é que a pessoa que busca constantemente um ideal inatingível frustra-se por não atingir o resultado e, ao invés de refletir sobre isto, opta por impor mais sacrifícios do que é capaz de suportar.

Perder peso é um processo que requer mudanças externas e internas. A dieta ideal é a do equilíbrio, identificando o que é melhor para si, num processo de autoconhecimento, e não corresponder à expectativa dominante. Por isso, alimentar o amor próprio é indispensável.

Créditos: Joselene L. Alvim (Jô Alvim) – Psicóloga/neuropsicóloga

Fonte: G1

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