Saúde

O nosso medo na pandemia

O medo não é apenas um sintoma ou patologia. Assim como a dor, apesar do desconforto, ele é um sinal de alerta que revela o funcionamento interno de cada um.

Relatos de medo sempre foram constantes na vida do ser humano. Engana-se quem diz que não sente medo. Qualquer um que acionar a memória vai lembrar que já teve algum ao longo da vida. O fato é que ninguém gosta deste sentimento, já que nos faz lembrar as nossas fragilidades, afinal, se pensarmos bem, não temos garantia de nada na vida. Contudo, além de inevitável, o medo é importante, pois é um mecanismo de proteção que nos ajuda a preservar a nossa vida.

Num momento em que o medo do contágio da Covid-19 toma conta da vida social, parece natural termos este sentimento e alguma ansiedade também. Ambos são normais. O problema é quando este medo compromete o ritmo de vida e se torna uma doença como a síndrome do pânico ou crises de ansiedade elevadas e constantes.

Na pandemia, diante de um perigo invisível, a tensão aumenta, nos desequilibrando emocionalmente, pois nos coloca numa condição de desamparo pela dificuldade de – ilusoriamente – controlarmos a situação. Com isso, são comuns os pensamentos negativos, por vezes catastróficos, principalmente aqueles relacionados ao contágio e à morte.

Este estado interno de alerta constante, somado ao isolamento, faz com que algumas pessoas busquem formas de alívio da tensão e da angústia através de comportamentos compulsivos, como comer, comprar, usar excessivamente a Internet; ou aditivos, como o uso de álcool ou drogas ilícitas. Essas estratégias não resolvem, pois trazem conforto apenas momentâneo. O que é preciso fazer é aprender a lidar com o medo, em vez de fugir dele.

O caminho é entrar em contato com as próprias emoções, verbalizá-las e compreendê-las. O medo não é apenas um sintoma ou patologia. Assim como a dor, apesar do desconforto, ele é um sinal de alerta que revela o funcionamento interno de cada um. Portanto, é preciso “escutá-lo”. O que está por trás daquilo que tanto tememos?

Encarar essa pergunta não é tão simples. O medo nos faz refletir sobre nossa vulnerabilidade. E nesta pandemia, diante de tantas mortes, e a consciência óbvia da nossa finitude, o medo nos põe pra pensar sobre qual o sentido que estamos atribuindo aos nossos dias, à nossa vida.

Contudo, embora as reações sejam diferentes, pois vão depender da estrutura emocional de cada um, neste momento de pandemia, buscar atividades prazerosas e restaurativas são algumas estratégias que, apesar de serem do ponto de vista do senso comum, são úteis para conviver com esse sentimento de modo que ele não se torne uma ameaça maior para cada um de nós.

Créditos: Joselene L. Alvim (Jô Alvim) – Psicóloga/neuropsicóloga

Fonte: G1 Presidente Prudente

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