Saúde

As críticas destrutivas disfarçadas de bem querer

É fato que não gostamos de receber críticas, mesmo aquelas construtivas que nos ajudam a melhorar.  Só conseguimos aceita-las, quando, mais tarde, compreendemos o sentido daquilo que nos foi dito. Do contrário, não é raro tratarmos estas críticas como um ataque pessoal, principalmente se elas chegam num momento que estamos mais sensíveis ou nada receptivos.

Numa relação a dois, as críticas acontecem, sejam elas construtivas ou destrutivas. Claro que o ideal é que impere as construtivas, onde a intenção é o bem estar do outro, e não algum interesse pessoal de quem faz a critica. Porém, nem sempre é desta forma que acontece. Há críticas destrutivas cujo objetivo é minar a autoestima do outro, inferiorizando-o. A ideia é desqualificar o parceiro como a única forma de sentir-se superior.

Se quem recebe a ofensa consegue enxerga-la como tal, há chances de se defender, apesar da dor. O problema são as críticas destrutivas disfarçadas de bem querer que deixam a vítima confusa, uma vez que são ditas com voz suave, em tom de ternura.

Geralmente, quem faz criticas assim tem um jeito de envolver o outro de uma forma que este outro não perceba que aquele toque é destrutivo. São falas sutis, uma vez que tais pessoas são muito sedutoras, mas que caracteriza, caso seja frequente, uma relação abusiva.

Há várias formas disto acontecer. Suponhamos que um dos parceiros consegue uma promoção no trabalho e, ao comunicar, muito feliz, a novidade ao outro, este, apesar do abraço ou sorriso farto, diz algo do tipo: “Parabéns! Sei que não é tão difícil conseguir isso, mas mesmo assim vale comemorar”. Ou, quando a vitima não consegue realizar algo, o crítico, docemente, diz: “Sei que você tem muita dificuldade de resolver até coisas simples, mas eu estou aqui pra ajudar”.

Um relacionamento abusivo ocorre quando um dos lados usa o próprio poder, seja físico, emocional ou psicológico, para controlar o outro. Nestes casos, quem critica faz a vítima sentir-se que é incapaz de realizar algo, tornando-a mais dependente, sem perceber que o outro não ajuda, apenas atrapalha seu crescimento. Aliás, é essa a intenção!

Receber constantemente críticas destrutivas mina a autoestima e a confiança em si. Para romper com este ciclo é necessário, inicialmente, que a pessoa conscientize-se do que está acontecendo e perceber que a manipulação do outro faz com que ela se esqueça de sua individualidade e, consequentemente, não saberá identificar o que é melhor para ela. Para resgatar a autoconfiança é preciso que a pessoa repense a forma como se vê. Por isso, é fundamental que ela reconheça quais são seus pontos positivos, bem como suas limitações para que possa suplanta-las, ao mesmo tempo em que perceba que tais limitações são inerentes ao ser humano, pois todos nós temos alguma dificuldade.

Você deve estar se perguntando, então, como é possível fazer uma crítica de um jeito saudável?

Primeiro é preciso escolher o momento adequado. Fazer uma critica no meio de uma discussão ou quando o outro está irritado, certamente não será percebida como ajuda. É preciso também mostrar os pontos positivos que o outro terá na vida dele caso opere as mudanças necessárias.

Quanto a aceitar ou não uma crítica, a diferença está na maneira como a pessoa a encara, o que está relacionado ao grau de maturidade emocional de cada um.

 

Créditos: Joselene L. Alvim (Jô Alvim) – Psicóloga/neuropsicóloga

Fonte: G1

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