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Retratos de um Brasil – Parte II – Racismo não existe!

Um breve relato sobre o racismo em nosso país a partir de alguns dados

“Ele acordava cedo, ele acordava cedo demais / Ele não tinha medo de patrão nem de capataz / Sonhava com um camaro, que ele achava demais / Mas acordava no busão sempre no banco de trás.”
Projota – Canção pro tempo

 

Nos últimos dias dos atuais tempos obscuros (que começam a clarear) pós-coronavirais, ficamos um tanto quanto “horrorizados” com as cenas protagonizadas por dois seguranças da Rede de Supermercados Carrefour, em pleno séc. XXI ou deveria talvez dizer séc. X. Pois bem… Não pretendo entrar no mérito da causa… E nem quero comentar tais ações… As imagens falam por si só e enojam!

Mas apenas para lembrar-lhes, aqui em nosso país e tantos outros, para “cada delito cometido, existe uma punição correspondente ou proporcional”, devidamente aplicada pela “JUSTIÇA” (após todos os procedimentos legais) e não pelo calor das “massas e emoções”. No entanto, como sabemos, este não é o primeiro caso e também não será o último. Ele é apenas o reflexo de uma sociedade “doente” e “brutal”, que infelizmente ainda continua querendo justificar ações como esta.

Dito isto, também ficou evidente a propagação pela mídia do crime de “racismo” cometido pelos seguranças. E sobre tal ponto, quem o determinará conforme mencionado, será a “JUSTIÇA”. Mas, apenas gostaria de ressaltar abaixo, alguns dados sobre o nosso país, um dos últimos a abolir a escravidão no novo mundo.

Atualmente, segundo dados do IBGE os negros representam cerca de 55,8% da população, no entanto ocupam a maior taxa de desocupação 14,1%. Com relação à renda média, os negros recebem cerca de R$ 1.188,00 a menos que os brancos. E a situação piora no acesso ao saneamento básico, 42,8% não possuem acesso ao sistema de esgoto em suas moradias. Na educação, apenas 10,1% chegou a concluir o Ensino Superior. Ressalte-se que o índice cai drasticamente na pós-graduação.[1]

No quesito dados de violência, a taxa de homicídios de negros por 100 mil habitantes era de 43,4, enquanto que a de brancos era de 16. A Rede de Observatórios da Segurança apontou que 75% dos mortos pela polícia são negros. Já no cenário político, em 2018 quase metade dos candidatos a deputado federal, era preta ou parda, no entanto apenas 24,4% foram eleitos.

Estas são apenas algumas das “constatações” do que presenciamos em nosso dia a dia, basta “olhar” ao seu redor e você verá tudo isso e até mais um pouco, a não ser que “você” não queira ver ou se negue a acreditar. Lembrando que a negação de tudo isto, também é parte integrante do “racismo estrutural” brasileiro, que diferente de outros lugares é “mais velado”. No entanto, se você estiver achando tudo isso é mais um “mimimi de preto”, como ouço por aqui e ali. Reveja seus conceitos e leia um pouco mais sobre o assunto.

Mas enquanto ainda existirem alguns “cidadãos de bem” dizendo por aí que, “não existe racismo no Brasil” ou “não há necessidade da política de cotas”. Eu apenas concluo dizendo que, vou passar a acreditar nisso tudo, quando os dados acima mencionados, forem apenas uma lembrança ruim em minha mente. Que fique claro, a luta não é sobre querer ser melhor que o outro, é apenas sobre ter os mesmos direitos e deveres constitucionais. Só isso!

[1] Conferir em: <https://www.terra.com.br/noticias/brasil/cidades/entenda-o-que-e-o-racismo-estrutural-e-o-seu-impacto-no-pais,8689e7af223a8e03dc1707fe450b4f81hbia036u.html> Acesso em: 21/11/2020

 

Tiago Rafael dos Santos Alves
Professor, Historiador e Gestor Ambiental
Membro Correspondente da ACL e AMLJF
tiagorsalves@gmail.com

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