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Quando o trabalho faz adoecer

Acordar cedo nem sempre é fácil para todo mundo. É preciso um bom sentido para pular da cama para encarar a manhã com bom humor. Agora imagina que você, nos últimos tempos, só de pensar em trabalhar fica desanimado, muitas vezes com vontade de chorar, sem entender as razões, afinal de contas, você sempre gostou da atividade que realiza. O que está havendo?

O local de trabalho, ou a própria tarefa em si, pode desencadear quadros estressantes. As razões são várias como carga excessiva, pressões diárias, diferenças de personalidade, valores e interesses, constantes conflitos, falta de autonomia e até a sensação de não conseguir gerenciar o próprio tempo.

O estresse é um conceito popularizado, sendo uma característica presente em nosso dia a dia, já que é um mecanismo de adaptação e defesa às situações novas. Cada organismo responde de uma forma aos fatores estressantes podendo, inclusive, ser positivo deixando-nos, inicialmente, mais produtivos e criativos.

No entanto, é preciso que isso aconteça dentro de um limite para que não prejudique o nosso desempenho profissional e social. O drama é que a maioria das pessoas não reconhece a linha divisória entre o que é saudável e onde se transforma em desequilíbrio físico e emocional. E não é difícil isso acontecer.

No mundo competitivo em que vivemos, muitos profissionais tem exigido de si além do que é capaz de suportar, desencadeando um estado grave de esgotamento físico e emocional. Este tipo de situação, associado a vários fatores, deflagram um quadro, cada vez mais comum, denominado Síndrome de Burnout, uma palavra que tem origem na expressão inglesa que pode ser traduzida como “queimar-se”, ou seja, algo que deixou de funcionar por falta de energia.

Este estado emocional de estresse crônico, e que leva a uma diminuição da vontade de trabalhar, vem acometendo profissionais de diversas áreas. Os sintomas, como irritação, desesperança, depressão, apatia, cansaço, alteração do sono, interferem na qualidade da vida pessoal, do trabalho e, claro, na autoestima. Com isso, há um ciclo que se repete, pois, devido ao desânimo e demais sintomas, investimos pouco no trabalho e, com o tempo, os resultados ficam abaixo do esperado, o que nos desmotiva mais ainda, pois nos sentimos pouco eficientes.

A síndrome de Burnout pode ser compreendida se considerarmos o mundo pós-moderno e suas relações. Vivemos a cultura do imediatismo, do consumo e do descarte, tanto de objetos, como de pessoas. Isto nos torna mais ansiosos, inseguros, competitivos e, por vezes, individualistas. O receio de perder o emprego leva o profissional a ter atitudes obsessivas, buscando atingir excelência ou perfeição nas tarefas, levando-o à exaustão. Além disso, há prazos restritos, demandas complexas, mudanças tecnológicas, ambientes conflituosos ou hostis, seja com colegas ou clientes, potencializando o adoecimento.

A dedicação exagerada à profissão, por incrível que pareça, é outro fator prejudicial. A sensação de que nunca é bom o suficiente, apesar das habilidades conquistadas durante a vida, desencadeia níveis elevados de ansiedade. Por isso, indivíduos muito exigentes consigo mesmo, competitivos, com grande idealismo em relação à profissão, são os alvos mais comuns.

Neste cenário, o que podemos fazer para melhorar as chances de nos mantermos saudáveis?

Além de boa alimentação, praticar atividades físicas e enriquecer a vida pessoal com atividades prazerosas, é fundamental que tenhamos clareza sobre quais são os nossos limites. O autoconhecimento, através da psicoterapia, é um recurso valioso para refletirmos sobre qual é a imagem que temos de nós mesmos, quais são os nossos desejos e os desejos dos outros que interferem, direta ou indiretamente, em nossa vida, além da nossa relação com a profissão. Tais reflexões são aliadas na busca do equilíbrio mental que, se necessário, poderá incluir a mudança de emprego.

Créditos: Joselene L. Alvim (Jô Alvim) – Psicóloga/neuropsicóloga

Fonte: G1

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