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Oiti para todo o lado! Está na hora de diversificar!

Uma curta análise sobre a vegetação urbana do Oeste Paulista

“Para chegar a este local, o picadão mergulha em um trecho de mata lindíssimo, entrecortado de árvores gigantescas e formando uma abóboda sobre o caminho.”
João P. Cardoso – Chefe da Commissão

Relatório da Commissão Geographica e Geologica do Estado de São Paulo – Exploração do Rio do Peixe – 1913. p. 3.

 

Recentemente, muito se discutiu em Adamantina, diga-se Redes Sociais, sobre o “corte” e/ou “poda” de árvores nas áreas centrais da cidade. No entanto, em uma conversa com alguns amigos, o assunto acabou enveredando por outro lado. Discutíamos o fato da grande maioria das cidades do oeste paulista, serem arborizadas com árvores conhecidas como “oiti” (Licania tomentosa).

Só para se ter uma ideia da dimensão disso tudo, basta dar uma olhadinha na frente das casas, normalmente você encontrará uma ou duas delas plantadas. Mas, por qual o motivo o oiti predomina na região? Bom, devemos nos atentar ao fato de que a copa de tal árvore é bem frondosa e de crescimento rápido, se comparado a outras espécies. Outro fator importante se dá pelo fato desta espécie ser de porte médio e de fácil adaptação à nossa região.

Mas, “nem tudo são flores”. O plantio excessivo de uma única espécie também pode prejudicar. Na cidade de Dourados, segundo a engenheira agrônoma Rosilene Ferreira, da Secretaria de Serviços Urbanos da prefeitura, “as podas podem reduzir o tempo de vida da espécie, o que poderá trazer prejuízos futuros[1]”.

Só para se ter uma ideia, em um breve folheada nos Relatórios das Expedições Geográficas e Geológicas do Estado de São Paulo, realizadas no início do século XX, é possível ver menções a centenas de espécies que compunham as matas do extremo oeste paulista. Isso a cerca de um século atrás. Mas, e hoje? Como estão estas localidades? Urbanizadas, impermeabilizadas (pelo asfalto) e com uma vegetação não nativa (O oiti não é daqui viu![2]). Não quero e nem pretendo dizer que o Oiti deva ser cortado e substituído! Não é isso! Mas, apenas destacar alguns pontos importantes em relação aos novos plantios.

Nesse sentido, o ideal é diversificar, fazer a escolha mais adequada para cada tipo de localidade, foque mais nas árvores nativas (se não as conhece, dê uma breve consultada junto a sua Secretaria de Meio Ambiente local, eles com certeza irão lhe ajudar!).Verifique se há espaço suficiente para a copa, raízes e não se esqueça de observar o tipo de fruto produzido pela espécie. Com certeza isso evitará inúmeros transtornos futuros e trará muito mais conforto ambiental para todos nós.

[1] Fonte: <https://www.douradosagora.com.br/brasil-mundo/meio-ambiente/excesso-de-arvores-oiti-pode-acarretar-problemas-em-dourados> Acesso em: 29/09/2019.

[2] O oiti (nome científico: Licania tomentosa), também chamado goiti, oiti-da-praia, guaili, oiti cagão, oiti mirim, oitizeiro, é uma árvore perenifólia brasileira arbórea da família Chrysobalanaceae proveniente da Mata Atlântica que ocorre nos estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio de Janeiro. Conferir: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Oiti> Acesso em: 29/09/2019.

 

Tiago Rafael dos Santos Alves
Professor, Historiador e Gestor Ambiental
Membro Correspondente da ACL
tiagorsalves@gmail.com

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