Geral

O ser humano não morrerá mais duas vezes

Uma breve análise sobre o aplicativo Legathum, produzido por um brasileiro

“Eu acredito que, nesta existência, você morre duas vezes. A primeira é quando te deixam no túmulo e a segunda é quando pronunciam seu nome pela última vez. Essa segunda morte é a que o Legathum vai conseguir evitar.”
Deibson Silva

 

Nos últimos dias dos atuais tempos obscuros pós-coronavirais, por incrível que pareça, lá em “Utopia” “estavam vivenciando o fim da corrupção” e da “lava-jato”. Mas, alguém decidiu “aplicar um dinheirinho na poupança”, se é que me entendem! Diante disso, lá em “Utopia” ainda aguardam um desfecho para tudo isso! Se é que vai ter! Bom… Deixemos de lado tudo isso e vamos ao que interessa!

Inúmeras personalidades permanecem ativas em nossas memórias, nas paredes, nos livros, nas músicas, nos filmes, etc., mesmo depois de já terem partido deste mundo. Alguns exemplos como Machado de Assis, Freddie Mercury, Jean-Michel Basquiat, Paul Walker, entre tantos outros, que marcaram épocas e ainda permeiam a nossa memória com suas obras.

No entanto, na manhã do último domingo (18), ao ler uma matéria no site da Revista Aventuras na História, acabei achando interessante a ideia de um brasileiro, Deibson Silva. Ele criou um aplicativo capaz de eternizar as nossas “memórias” de forma democrática.[1]

Denominado “Legathum”, do latim ‘legado’ tal aplicativo “armazenará os pensamentos de seus usuários em uma base de dados e, a partir dessas informações, criará uma biografia sobre cada pessoa. Com os dados recolhidos, então, o aplicativo vai aprender tudo sobre o usuário. ‘A personalidade, a tomada de decisão, o padrão de intenção, os valores, o caráter e todo o conhecimento’ das pessoas serão levados em consideração”.[2]

Uma segunda etapa do projeto é utilizar toda essa base de dados para reproduzir os indivíduos através de uma inteligência artificial. O que culminaria em uma terceira etapa, com a introdução de vídeos, voz, etc. Dessa forma, segundo seu idealizador, seria possível simular conversas com quem já se foi.[3] Seu criador Deibson, acredita que por meio do Legathum “todos” podem registrar a sua memória (o seu legado) e assim não morrerem uma segunda vez.

Em uma opinião particular, enquanto historiador, acredito que é cedo ainda para traçar um “opinião formada”. No entanto, posso definir duas situações: Por um lado, isso facilitará muito o trabalho dos profissionais de nossa área. Saímos de uma era onde toda a pesquisa era estritamente baseada nos Arquivos Históricos, nos livros, nas fontes propriamente ditas, uma história factual, muitas vezes centrada na data e no fato em si, sem problematizá-los. Muito progredimos com os pensadores das mentalidades, da micro-história, das desconstruções, etc, quando o fator ‘humano’ foi acrescentado (a entrevista, o vencido, o excluído, o cidadão comum, etc). Penso que esta poderá ser uma nova forma de um dia desenvolvermos as nossas pesquisas a partir do que ele mesmo denomina de “democratização de nossa história”. Por outro lado, penso que isso ainda demorará para ocorrer. Vamos aguardar!

[1] Conferir: <https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/qualquer-pessoa-merece-contar-sua-historia-o-aplicativo-que-promete-eternizar-memorias.phtml> Acesso em: 18/10/2020.
[2] Idem.
[3] Idem.

 

Tiago Rafael dos Santos Alves
Professor, Historiador e Gestor Ambiental
Membro Correspondente da ACL e AMLJF
tiagorsalves@gmail.com

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