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Filosofia, Inteligência Artificial e Dilemas Morais

Uma breve análise sobre o que nos aguarda em relação à Inteligência Artificial

“Aquilo que não puderes controlar, não ordenes.”
SÓCRATES

 

Nos últimos dias, li por aqui ou ali, uma matéria sobre o fato da profissão de filósofo de tornar uma das mais importantes ao longo dos próximos anos. Pois bem, quem diz isso é o autor do best-seller “Sapiens – Uma Breve História da Humanidade”, o historiador israelense Yuval Noah Harari[1]. Mas, o mais curioso e interessante são motivos que levarão tal ofício a esse patamar.

Vejamos, segundo Harari, a valorização dessa profissão se daria tendo como base a chamada “Inteligência Artificial”. Tais profissionais auxiliariam tal área no que tange aos “dilemas morais”. Como exemplo podemos imaginar o que se passa na cabeça de alguém segundos antes da ocorrência de um acidente. Tendo que escolher, atingir duas crianças que entraram na frente de seu carro, ou por outro, desviar e atingir um outro carro de frente.[2]

É nesse sentido que Harari diz que poderão existir “algoritimos filósoficos” que poderão auxiliar nessas escolhas, mas também não serão perfeitos. E quem sabe, talvez assim, responsabilizar tal profissional por suas teorias. Mas, para que isso ocorra, segundo tal historiador é necessário que a “ética” seja codificada em números e estatísticas.[3]

É aí que reside o problema, e inúmeros pesquisadores também pensam de igual maneira. Torna-se impossível “codificar a ética”. Com um simples olhar para a história, podemos observar que, muito do que éramos, já não existe e muito do que seremos ainda é uma possibilidade. Aliado ao fato de que, devemos ter em mente de que, cada caso é um caso, cada lugar em si, traz características culturais, sociais, históricas, políticas e religiosas próprias e leis não são imutáveis. Sendo muito difícil realizar o que tal pesquisador propõe.

Nesse sentido, e claro puxando um breve gancho disso tudo, já escrevi por aqui ou ali, sobre as Revoluções 4.0 e 5.0. Assim, como já escrito por lá, muitos, com certeza, serão os benefícios, no entanto também é importante destacar os impactos que tudo isso poderá causar oportunamente na sociedade, principalmente no que se refere ao mercado de trabalho. É aí que entra a “IA”. Quais impactos ela poderá causar? Gerará mais benefícios que malefícios? Penso que, ainda é cedo para se dizer! Mas, vale a pena a reflexão!

Se a filosofia será ou não a profissão do futuro, não sabemos. Mas, enquanto tudo isso ainda não se concretiza, ficaremos a imaginar o que nos aguarda nesse “admirável mundo novo”, talvez ou quem sabe, parafraseando a máxima de Sócrates: “Só sei que, nada sei.”

[1] Conferir em: <https://economia.uol.com.br/empregos-e-carreiras/noticias/redacao/2018/11/15/filosofia-pode-ser-profissao-do-futuro-livro-historiador.htm> Acesso em: 16/02/2020.
[2] Idem
[3] Idem

Tiago Rafael dos Santos Alves
Professor, Historiador e Gestor Ambiental
Membro Correspondente da ACL e AMLJF
tiagorsalves@gmail.com

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