Geral

Em tempos de pandemia, o arroz está sumindo da mesa do brasileiro

Uma breve análise sobre as altas no preço do cereal nos últimos dias

“Precisamos de liberdade, mas entendemos que intervir se torna necessário quando não se tem acordo ou controle sobre algo.”
Jean Batista Dias

Nos últimos dias dos atuais “tempos obscuros pós-coronavirais”, depois de “eitas atrás de vixes”, estamos naquela, da saudosa Mara Manzan: “Cada mergulho é um flash!” Desta vez o que “apertou os calos” do brasileiro foi a alta repentina no preço do arroz, um principais alimentos da cesta básica. Em alguns supermercados o aumento passou de 100%, no preço praticado no mês anterior.

Pois bem, como já sabemos e estamos vivenciando, a ótica “liberal” não funciona muito bem quando as “vacas estão magras”. Mas, vale a pena lembrar, vivemos em uma “democracia”, cada qual defende aquilo que lhe convém, incluindo o “abatedouro e o açougue”. Portanto, sigamos. Tentemos entender como tal cereal chegou a este patamar.

Bom… Primeiramente devemos ter em mente de que na última década houve uma grande diminuição da área de plantio. No entanto, cabe ressaltar que a produtividade do cereal aumentou consideravelmente, tendo um recuo de cerca de 3%. Por outro lado, há de se considerar que o consumo de arroz na pandemia aumentou cerca de três vezes, se comparado o mesmo período no ano anterior.[1]

Outro ponto que também merece destaque são os “estoques públicos” de arroz. Atualmente o tal estoque é o menor da última década, o que não seria suficiente para o abastecimento de um mês de consumo[2].

Conforme apontou Lucílio Alves, pesquisador do Cepea e professor da Esalq-USP: “Ao longo do tempo, o governo deixou de adquirir estoques. Atualmente, ele não tem recursos na prática para quase nada, nem para pagar salários. Com isso, o governo saiu desse processo e deixou o mercado se regular[3].

No cenário macroeconômico ainda temos a famosa “alta do dólar” e a diminuição de exportações dos países asiáticos. O que acabou favorecendo as “exportações” do cereal brasileiro. Lembrando que, isso “favorece” as grandes cooperativas, empresas e tradings, mas não o produtor. Este por sua vez, ainda continua vivenciando “o baixo incentivo” em sua produção. Ou seja, cada vez mais serão comuns as diminuições das áreas de produção do cereal e/ou diversificação para outras culturas[4].

Enfim, diante do exposto, o que se percebe é que o tão apregoado “modelo liberal” não tem funcionado muito bem, principalmente para os “elos mais fracos da corda”. Políticas assertivas internas e externas se fazem mais do que necessárias no atual momento. Mas, infelizmente sabemos que isso ainda está longe de acontecer. Enquanto isso, “o povo paga o pato, ou melhor o arroz (desta vez, mais caro)”. E como diria Professor Raimundo: E o salário ó…!

[1] Conferir: <https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Agricultura/Arroz/noticia/2020/09/5-motivos-que-fizeram-o-preco-do-arroz-disparar-no-brasil.html> Acesso em: 12/09/2020.
[2] Idem.
[3] Idem.
[4] Idem.

 

Tiago Rafael dos Santos Alves
Professor, Historiador e Gestor Ambiental
Membro Correspondente da ACL e AMLJF
tiagorsalves@gmail.com

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