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Artilheiro e cronistas lembram “gol raro” no Oeste Paulista, parecido com o de Ronaldo em 93

Autor da façanha conta como nasceu a inspiração para o lance que ocorreu há quase 40 anos, pouco tempo antes da extinção do Guarani de Adamantina

A ausência de algumas tecnologias na época, que não permitia um número maior de transmissões ou registros de imagens como hoje, ainda mais para um campeonato de terceira divisão paulista, não apagou da memória dos envolvidos um “gol raro” feito no Oeste Paulista há quase 40 anos. O lance curioso teve inspiração carioca e algumas semelhanças identificadas pelo próprio autor em um feito de Ronaldo Fenômeno, 12 anos depois, com a camisa do Cruzeiro.

E um dos que não se esquece do lance tão lembrado por alguns saudositas é o ex-centroavante Flávio, conhecido no meio do futebol local como Coco ou Coquinho. Ele conta o que ainda guarda na memória, sem a ajuda das imagens, como lembrança do gol feito no tempo em que jogava no Guarani de Adamantina.

– Recebi o lançamento e saí para dividir com o goleiro. Ele conseguiu ficar com a bola, mas, ao sair, ele esticou bem uma das pernas, como fazem muitos goleiros, para machucar o atacante caso ela decida seguir na jogada. Ele segurava a bola firme, com os braços esticados, e eu comecei a xingá-lo, com palavrões (risos). E ele colocou a bola embaixo do sovaco e ficou conversando com o árbitro, pedindo cartão para mim. Eu fui, tirei a bola com a cabeça, e quando ela bateu no chão, eu mandei para o gol.

– Achei que o gol não seria validado, mas vi, primeiro, o bandeira correndo para o meio. Daí o árbitro confirmou o gol, e só corri para a torcida – conta o ex-centroavante.

Para quem não viu e ao que tudo indica jamais verá outro igual, o gol pode até ser encarado como mais um conto folclórico do futebol. Mas o fato do Estádio Antônio Goulart Marmo, em Adamantina, receber naquele dia poucas pessoas não impede os discursos de outros envolvidos de relembrarem a cena inusitada até hoje, destacada como inesquecível dentro da história do futebol na região.

Flávio (2º da esq. p/ a dir.) depois seguiu a carreira de investigador e participou de encontros festivos com ex-atletas do Guarani de Adamantina, como na imagem — Foto: Cedida
Flávio (2º da esq. p/ a dir.) depois seguiu a carreira de investigador e participou de encontros festivos com ex-atletas do Guarani de Adamantina, como na imagem — Foto: Cedida

 

Embora alguns detalhes fiquem perdidos ou venham de forma menos precisa, o ex-centroavante Flávio e alguns profissionais da imprensa local não esquecem aquela tarde de 1981, último ano de atividade profissional do Guarani de Adamantina, que jogava em casa pelo Paulista da 3ª Divisão.

Tanto Coco como os cronistas não lembram exatamente o placar final do jogo, nem o adversário. Entre os nomes levantados como rival daquela partida, foram cogitadas a Cafelandense, Paraguaçuense e a Ranchariense, todas presentes na disputa da Terceirona de 1981. Porém, se os detalhes fugiram da lembrança, todos são unânimes quanto à descrição, classificado como “raro” pelo colunista Jair, o Cabeça, que hoje escreve para um jornal da Nova Alta Paulista.

– Esse lance ocorreu no gol dos fundos (à direita do local reservado para a imprensa) do Antônio Goulart Marmo. O goleiro colocou a bola embaixo do braço. O Coco só cutucou com a cabeça e mandou para o gol assim que ela caiu. Acredito que o juiz não tenha visto o lance, não sei. Na época, eu narrava pela Rádio Brasil, de Adamantina – descreve Jaime Oliveira, o Bem-te-vi, atualmente radialista em Bastos (na região de Marília).

– Eu me lembro muito bem do lance: o goleiro pegou a bola, e não sei qual foi a inspiração que o Coco teve, mas tirou a bola que estava debaixo do goleiro com a cabeça e fez o gol. O lance foi muito contestado, mas não sei qual foi o critério utilizado pelo árbitro, senhor Alfredo Ramos – relembra o profissional José Mario Toffoli, 82 anos, sendo 64 deles como comunicador, e repórter à beira do gramado naquele jogo.

Se José Mário desconhece a inspiração de Flávio, é o artilheiro mesmo que tira essa dúvida. O ex-centroavante explica que, ainda adolescente, com cerca de 16, 17 anos, viu um dos irmãos de César Maluco, jogador do Palmeiras nas décadas de 1960 e 1970, fazer um gol parecido. O adamantinense também não conserva muitos detalhes sobre o gol que o inspirou, mas arrisca dizer que foi feito por Caio, em uma partida válida pelo Campeonato Carioca, como pontua já de forma mais exata.

Em 1993, 12 anos após deixar seu feito registrado na história do Guarani de Adamantina, viu Ronaldo Fenômeno, ainda apenas Ronaldinho, com 17 anos e atleta do Cruzeiro, balançar as redes em uma jogada a qual fez Coco voltar ao passado e também se sentir identificado por algumas semelhanças.

Lembranças do Guarani de Adamantina seguem vivas nas memórias de ex-atletas, torcedores e cronistas da época — Foto: Cedida
Lembranças do Guarani de Adamantina seguem vivas nas memórias de ex-atletas, torcedores e cronistas da época — Foto: Cedida

 

Em uma partida válida pela primeira fase do Brasileiro, o atacante fez cinco gols na goleada diante do Bahia, no Mineirão, por 6 a 0. No gol que fechou a conta, Ronaldo aproveitou uma falha do goleiro Rodolfo Rodríguez. O uruguaio soltou a bola que estava em seu domínio para, ao que tudo indica, se lamentar das bobeadas de seu setor defensivo. Para Flávio, as jogadas provam o seguinte: a “esperteza” sempre ajudará o centroavante a manter o faro de gol em dia.

O outro detalhe trazido de forma comum pelos adamantinenses é que o goleiro adversário era um ex-atleta conhecido como “Pezão”, o qual teria passado por equipes como Osvaldo Cruz e Ranchariense.

Em 1981, Estádio Antônio Goulart Marmo foi palco de "gol raro" — Foto: Ronaldo Dutra / Cedida
Em 1981, Estádio Antônio Goulart Marmo foi palco de “gol raro” — Foto: Ronaldo Dutra / Cedida

 

Por Paulo Taroco — Adamantina, SP

Fonte: G1 Presidente Prudente

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