Cidades

Fragmentos florestais contribuem para a riqueza e a diversidade de aves em Presidente Prudente; veja FOTOS

Biólogo mestre chama a atenção para bandos de canário-da-terra, espécie já perseguida e predada.

São vários os cantos e as cores que tomam conta do céu de Presidente Prudente (SP), desde o amarelo dos pequenos canários e os tons quentes dos pica-paus, araçaris e periquitos, até os negros urubus. No Dia da Ave, lembrado neste sábado (5), o G1 fala um pouco sobre a diversidade da avifauna na cidade e a sua importância.

Um levantamento de fauna disponibilizado ao G1 pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, atualizado neste ano, ostenta centenas de espécies de anfíbios, répteis, mamíferos e aves, sendo elas as mais populares na cidade, conforme o biólogo mestre André Gonçalves Vieira.

“Presidente Prudente é rico na questão de avifauna devido aos seus fragmentos florestais e também à ocupação em torno. A monocultura favorece que essas aves acabem migrando pra área urbana e você consegue ter uma observação maior desses animais”, afirmou ao G1 o biólogo.

Além disso, “a nossa região acaba sendo um ponto em que o inverno não é tão rigoroso e a estiagem também não acaba sendo tão prolongada”. O período faz com que a região seja favorecida com as aves migratórias dos hemisférios sul e norte, conforme o biólogo comentou.

Canário-da-terra (Sicalis flaveola) — Foto: Stephanie Fonseca/G1
Canário-da-terra (Sicalis flaveola) — Foto: Stephanie Fonseca/G1

 

Populares

O canto chama a atenção, bem como os tons em amarelo de suas penas. O canário-da-terra é uma ave que atualmente pode ser vista e ouvida em diversas partes de Presidente Prudente.

“O canário-da-terra, há muito tempo, foi predado, colocado em cativeiro. Então, você não via muito dez anos atrás. Hoje você vê com mais frequência. Você para numa praça, no Parque do Povo, no Parque Ecológico São Lucas – São Matheus e vê bandos de canário-da-terra, que acabam chamando a atenção por isso, pelo passado de predação”, ressaltou ao G1.

Outro animal que também chama a atenção devido ao passado de predação e de cativeiro é o trinca-ferro, de acordo com o biólogo.

Entretanto, a diversidade é grande e outras belas aves abrilhantam a cidade, como o tucanuçu, o pica-pau, o bem-te-vi e o sabiá (que também foi predado e colocado em cativeiro).

Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus) — Foto: Stephanie Fonseca/G1
Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus) — Foto: Stephanie Fonseca/G1

 

“Nós chamamos mais a atenção para esses animais que no passado foram perseguidos por hobby, para deixar em cativeiro, e hoje você vê com maior disponibilidade, é mais fácil de se observar quando você chega a uma praça”, afirmou.

Contudo, ainda é possível observar aves que não são da nossa região, mas que por algum motivo sobrevoam a cidade, como a arara-canindé e o bem-te-vi-pirata (pelo sistema migratório).

“A arara-canindé não é oriunda nossa, porém, devido a criadouros manterem esses animais, acabaram fugindo ou fazendo alguma soltura. Se não me engano, sete ou oito araras que percorrem o Campus 2 [da Universidade do Oeste Paulista, a Unoeste], a Cidade da Criança e o Parque do Povo acabaram se alojando na cidade e na região devido até a esses fragmentos florestais”, explicou.

Tucanuçu (Ramphastos toco) — Foto: Stephanie Fonseca
Tucanuçu (Ramphastos toco) — Foto: Stephanie Fonseca

 

Imponentes

Mas não são somente as pequenas aves que chamam a atenção das pessoas. As espécies rapinantes, principalmente o carcará e o gavião-carijó, são muito vistas na área urbana.

“Elas começam a migrar da área rural por falta dessa quantidade de fragmento florestal, essa composição de vegetação arbórea, que diminui a questão da presa. Então, a presa vem para a cidade e esses animais vêm também”, afirmou Gonçalves ao G1.

Conforme o biólogo, quando os animais vão para a cidade, seus hábitos também mudam, principalmente o alimentar.

“Infelizmente nós observamos que o carcará está se tornando um animal que se alimenta mais de carcaça, necrófagos, pra deixar de ser um predador nativo, até porque pra ele acaba sendo mais vantajoso, não tem essa deficiência de energia, e acaba vivendo com animais que ele até predaria. Mesma coisa é o carijó. Ele ainda continua com seu hábito alimentar, não alterou totalmente, mas migra pra área urbana pra se alimentar principalmente de pintinhos, aves em nidificação”, explicou.

Urubu-de-cabeça-amarela (Cathartes burrovianus) — Foto: Stephanie Fonseca/G1
Urubu-de-cabeça-amarela (Cathartes burrovianus) — Foto: Stephanie Fonseca/G1

 

Cuidados

A presença de animais no meio urbano também exige alguns cuidados, já que algumas pessoas acabam fornecendo alimentação para as aves.

O biólogo explicou que, às vezes, as pessoas acabam sendo leigas e não entendendo dois fatores, que são o da alimentação e o do comportamento do animal.

“Muitas vezes você pode querer dar um alimento pro animal segurando na mão e ele acabar se assustando e resultar num acidente, principalmente, se for um psitacídeo. Eles têm um bico muito forte, então, acabam machucando a pessoa”, declarou ao G1.

Periquito-rei (Eupsittula aurea) — Foto: Stephanie Fonseca/G1
Periquito-rei (Eupsittula aurea) — Foto: Stephanie Fonseca/G1

 

Há também a questão da qualidade da alimentação e de tomar o cuidado de não colocar o alimento na boca antes de dar para os animais. “Temos algumas doenças que nós conseguimos combater e conviver, mas esses animais, não. Um exemplo é a herpes. Se a pessoa der um alimento para um animal e tiver herpes, pode infectar o animal, que pode acabar morrendo”, afirmou.

Outra orientação é a de que é necessário ser sempre uma alimentação fresca e não tentar se aproximar muito do animal.

Também foi citada por Gonçalves a água de beija-flor com açúcar. “Não se recomenda muito. Deixa só a água ali que o animal vai, porque esse frasco tem de ser lavado constantemente, pode dar alguma infecção na garganta do animal e esse animal não tem como ser tratado, depois ele vai a óbito por intervenção humana”, salientou.

Em relação a possíveis ataques, principalmente de gaviões e quero-queros, o biólogo afirmou que se tratam de uma defesa de seus ninhos, mas que ocorrem se a pessoa se aproximar muito e a ave sentir que seu ambiente está ameaçado.

Teque-teque (Todirostrum poliocephalum) — Foto: Stephanie Fonseca/G1
Teque-teque (Todirostrum poliocephalum) — Foto: Stephanie Fonseca/G1

 

Observação

A observação de aves já é considerada um hobby e até um sistema turístico que fomenta os recursos financeiros, principalmente, na Europa e na América. As “passarinhadas” têm se tornado cada vez mais comuns e, diante disso, o biólogo ressaltou que é interessante que as pessoas se atentem mais ao seu redor e observem a fauna e seu comportamento.

“É relaxante também, traz um conforto pra pessoa, seja mental ou físico. É uma atividade muito prazerosa fazer observação de avifauna”, salientou ao G1.

Gonçalves ainda indicou alguns locais que podem ser percorridos para a prática, como a região da Cidade da Criança, o Parque do Povo e a mata do Parque Furquim.

“Chamamos de um antiestresse com um custo baixíssimo”, ressaltou.

E o mais “importante” é “não manter esses animais cativos”. “Se alguém tiver, entregue-os para a Polícia Ambiental voluntariamente, que não vai ser autuado, ao contrário se a polícia tiver uma denúncia”, orientou.

Choró-boi fêmea (Taraba major) — Foto: Stephanie Fonseca/G1
Choró-boi fêmea (Taraba major) — Foto: Stephanie Fonseca/G1

 

Importância

“Uma questão a se destacar é que todo animal tem sua importância na cadeia alimentar. Não só na cadeia alimentar, mas também no ecossistema, numa conexão entre animais, árvores, vegetação, solo, água e ser humano”, salientou ao G1.

Um exemplo de animal importante é o macaco, um importante bioindicador de saúde ambiental, pois indica que ocorre o vírus da febre amarela numa região, conforme explicou o biólogo mestre.

Ainda há relatos de antas percorrendo a região – um dos maiores colaboradores na dispersão de sementes e reflorestamento – e a onça-pintada, predadora do topo da cadeia alimentar, que coloca em equilíbrio os animais.

De acordo com o biólogo, Presidente Prudente é uma região que tem tudo para ter uma grande quantidade de fauna. “Agora, compete a nós, seres humanos, contribuirmos para que esses animais comecem a circular”, colocou.

Papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) — Foto: Stephanie Fonseca
Papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) — Foto: Stephanie Fonseca

 

“Costumo dizer que, a partir do momento em que um animal começa a ser extinto, pode ter certeza de que problemas vão aparecer, e problemas ao ser humano, porque um animal ocupa o nicho de outro, a natureza tem esse comportamento, e o homem acaba sofrendo com mazelas desconhecidas. Mas, pesquisando, sempre tem um elo na natureza que é quebrado”, ressaltou ao G1.

Nos registros de fauna da cidade, há três animais numa “parte de fragilidade (extinção)” e vulnerabilidade devido à diminuição de seu habitat. São eles a onça-pintada, o urubu-rei e o papagaio-verdadeiro.

O levantamento é feito a cada dois ou três anos, devido à demanda e ao tamanho da cidade, em parceria com instituições de pesquisa, como a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), a faculdade de ciências biológicas de uma universidade de Presidente Prudente e a Polícia Militar Ambiental.

O “Dia da Ave” foi instituído pelo Decreto nº 63.234, de 12 de setembro de 1968, e é comemorado, anualmente, em 5 de outubro.

Besourinho-de-bico-vermelho (Chlorostilbon lucidus) — Foto: Stephanie Fonseca/G1
Besourinho-de-bico-vermelho (Chlorostilbon lucidus) — Foto: Stephanie Fonseca/G1

 

Andorinha-pequena-de-casa (Pygochelidon cyanoleuca) — Foto: Stephanie Fonseca/G1
Andorinha-pequena-de-casa (Pygochelidon cyanoleuca) — Foto: Stephanie Fonseca/G1

 

Pica-pau-verde-barrado (Colaptes melanochloros) — Foto: Stephanie Fonseca/G1
Pica-pau-verde-barrado (Colaptes melanochloros) — Foto: Stephanie Fonseca/G1

 

Periquitão-maracanã (Psittacara leucophthalmus) — Foto: Stephanie Fonseca/G1
Periquitão-maracanã (Psittacara leucophthalmus) — Foto: Stephanie Fonseca/G1

 

Choca-barrada macho (Thamnophilus doliatus) — Foto: Stephanie Fonseca/G1
Choca-barrada macho (Thamnophilus doliatus) — Foto: Stephanie Fonseca/G1

 

Saíra-amarela (Tangara cayana) — Foto: Stephanie Fonseca/G1
Saíra-amarela (Tangara cayana) — Foto: Stephanie Fonseca/G1

 

Choca-do-planalto macho (Thamnophilus pelzelni) — Foto: Stephanie Fonseca/G1
Choca-do-planalto macho (Thamnophilus pelzelni) — Foto: Stephanie Fonseca/G1

 

Pica-pau-branco (Melanerpes candidus) — Foto: Stephanie Fonseca/G1
Pica-pau-branco (Melanerpes candidus) — Foto: Stephanie Fonseca/G1

 

Por Stephanie Fonseca,

Fonte: G1 Presidente Prudente

Etiquetas

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios